A Água, o Leite e a Qualidade.

A Água, o Leite e a Qualidade.

A água, o leite e a qualidade. Como estão relacionadas?

A água é o nutriente mais importante na produção de leite e por isso a vaca precisa de acesso livre e fácil a uma fonte de água abundante, fresca e de qualidade para uma produção otimizada. Vários fatores podem afetar o consumo da água como a temperatura, ambiência, teor de matéria seca na ração, nutrição, gestação, idade, a produção de leite entre outros fatores. Uma vaca leiteira de alta produção pode ingerir mais de 150 litros de água em um dia quente. Um aspecto importante, entretanto, negligenciado dentro da nutrição, é a qualidade da água.

A qualidade físico-química da água e os impactos na produção e produtividade de leiteira.

A qualidade físico-química da água e os impactos na produção e produtividade de leiteira.

Introdução.

Há dois tipos de ensaios laboratoriais realizados na água a fim de examinar seu padrão de qualidade, o físico-químico e o microbiológico.
O padrão microbiológico é o mais preocupante. A qualidade microbiológica da água deve preocupar não apenas pelo impacto na qualidade microbiológica do leite, pois tem forte influência na Contagem Bacteriana Total (CBT) e pode contribuir com o aumento da Contagem de Células Somáticas (CCS), mas principalmente porque uma contaminação microbiológica transmitida ao ser humano, seja via água ou via consumo de leite, pode ter efeitos altamente nocivos em um curto espaço de tempo. A infecção bacteriológica causada pela água mata uma criança a cada 15 segundos no mundo (OMS). A associação de água contaminada com leite pode desencadear efeitos devastadores, mas este tema não será abordado neste artigo.
Segundo, a qualidade físico-química, não tão preocupante quanto aos impactos na qualidade do leite e riscos a saúde humana, mas tem impacto significativo na produção, produtividade e nos custos de manutenção na produção de leite. Pode ainda ter efeitos na saúde animal, um aspecto que ainda não foi estudado com a atenção que deveria merecer.
Embora presente em todas as fases do processo de produção de leite, desde a irrigação de pastagens, afastamento de resíduos e higienização de equipamento e dessedentação animal, a água nunca foi considerada fundamental, como um recurso que necessitasse de investimento e adequação para o uso. Afinal, a água sempre esteve ali, nos poços, nas nascentes, nos regos e rios, gratuita, livre, disponível para ser utilizada a qualquer momento e de qualquer forma sem censura e restrição ou mesmo preocupação econômica ou ambiental.
Entretanto a água é o único recurso sobre a qual o homem não tem domínio algum. Não podemos prever seus impactos naturais como estiagem e precipitação, não controlamos o seu curso e mesmo quando o fazemos somos surpreendidos por eventos que colocam toda nossa segurança em risco, não gerenciamos o consumo e não temos conhecimento de seus efeitos físicos, químicos e microbiológicos, não conhecemos a água que ingerimos ou fornecemos aos animais e ainda assim sabemos que somos essencialmente água bem como o principal alimento do mundo que produzimos, o leite. Em qualquer processo produtivo seria normal supor que a matéria prima que compõe mais de 85% do produto devesse ser de excelente qualidade, mas no caso do leite ignoramos isso e não conhecemos nossa água.
Infelizmente a cultura da indolência enraizada por anos de descaso com esse valioso recurso cobra um preço que não conhecemos, e por isso ignoramos, mas que mina ano após ano o pouco lucro que se pode ter.
Vacas bebem água de 10 a 15 vezes por dia em torno de 10 litros cada vez. Em verões quentes podem beber até 200 litros de água por dia. A velocidade normal que uma vaca pode beber é de cerca de 20 litros por minuto. Quanto mais fácil estiver o bebedouro ao alcance das vacas mais ela beberá água (COWSIGNALS).
A água é um solvente universal. Nenhum líquido pode dissolver ou diluir mais substâncias que a água. A mesma característica torna a água o mais eficiente agente de transporte de substâncias imprescindíveis em nosso organismo, nas plantas, nos processos de higiene e limpeza, na fertirrigação, na composição do leite, faz dela a mais letal das substâncias nocivas à saúde humana e animal e causadora de prejuízos imprevisíveis e irreversíveis em processos produtivos, sistemas de irrigação, resfriamento ou aquecimento que utilize água. A influência da qualidade da água na produtividade de leite ainda necessita de estudos mais amplos e profundos. A vaca que produz um alimento, no caso o leite, e tem um ciclo de vida longo com grandes investimentos. Diferentemente de outras espécies a como frangos e suínos que são o alimento e tem um ciclo de vida relativamente curto. O fato relevante desta informação é que se a água contiver algum elemento que prejudique a saúde do animal poderá afetar sua produtividade, fertilidade ou mesmo leva-la a morte.
A água é o nutriente mais importante para o gado leiteiro. Necessária para todos os processos de transporte de nutrientes e outros compostos a partir das células; a digestão e o metabolismo de nutrientes; eliminação de materiais residuais (urina, fezes e respiração) controle do excesso de calor (transpiração) do corpo; manutenção do equilíbrio de fluidos e de iões adequada no organismo; e fornecimento de um ambiente fluido saudável para o feto em desenvolvimento. Uma perda de 20 por cento de água no corpo pode ser fatal. (NCR, 2001)
Um estudo inédito e recentemente publicado na Penn State Extension, pelo Prof. Bryan Swistock, Water Resources Specialist, avaliou a qualidade da água e o impacto na produtividade de leite. Problemas de qualidade da água podem causar redução da produção de leite e problemas de saúde ao animal. Entretanto, pode ser muito difícil determinar o real impacto da água no desempenho e saúde do rebanho.
Além dos dados de qualidade da água, outros dados podem ajudar neste levantamento como, medição do consumo de água dos animais via hidrômetros e monitoramento de desempenho de vacas segregadas usando água de diferentes fontes de água com diferentes características físico-químicas e microbiológicas.
As principais causas do problema de águas de má qualidade podem ser divididas em ambientais e naturais. As ambientais seriam as contaminações das áreas de localização dos poços ou das nascentes, falta de proteção dos poços ou das nascentes e contaminação direta das águas superficiais por meios de pastagens próximas ou despejos de dejetos sem tratamento nestes. Podemos citar como problemas naturais da água a presença elevada de componentes como, dureza, metais como ferro e manganês, gás sulfídrico e baixo pH.
O estudo realizado por Swistock (2012) não foi concebido como um projeto de pesquisa, mas como um levantamento prévio para direcionar futuras pesquisas e com intuito de conscientizar produtores quanto a importância da qualidade da água. Neste estudo não foram realizados testes microbiológicos visto que para tal a água teria que chegar no laboratório em 24 horas sob refrigeração para ser analisada. Os parâmetros físico-químicos analisados foram pH, TDS, ferro, manganês, cobre, nitrato, dureza, cálcio, sódio, magnésio, cloreto e sulfatos.

Dados das amostras coletadas:

Enviados 243 kits de amostragem
Retornaram 174 amostras (72%)
Tipos de fontes de água:
Poços – 149 (86%)
Nascentes – 20 (12%)
Cisternas – 1 (<1%)
Açudes – 1 (<1%)
Água Pública – 3 (2%)

 

  • 87% dos produtores de leite não tinham qualquer informação sobre o consumo de água de seu rebanho.
  • 10% estimavam consumos de água que variaram de valores entre 530 L e 60 L por vaca por dia sendo que a média declarou acreditar no consumo de 20 L de água por vaca por dia.
  • Apenas 3% dos produtores tinham hidrômetros para medição de água e registraram entre 68 e 105 litros de água por vaca por dia, bem coerente com informações de estudos que registraram um consumo total de 84,9 L/água/vaca/dia de BENEDETTI (2012) e THOMSON et al., (2007), HESS e CHATTERTON (2012) que consideraram necessário 91,7 L/água/vaca/dia para dessedentação.

Parâmetros analisados e sua interpretação.

pH – Estudos que relacionam o pH da água com quaisquer problemas de saúde ou desempenho do gado são raros. Adams e Sharpe (1995) sugeriu que o pH da água deve situar¬-se entre 5,1 e 9,0 com base em experiências com rebanhos leiteiros na Pensilvânia. Eles sugeriram que a água ácida com um pH inferior a 5,1 pode aumentar os problemas relacionados com a acidose crónica ou leve, enquanto a água com um pH acima de 9,0 pode resultar em problemas relacionados com a alcalose crónica ou leve. Outros autores têm recomendado um intervalo de pH mais rigoroso entre 6,0 e 8,5, em grande parte com base em observações de campo ao invés de estudos controlados. A Penn State Extension sugere que o abastecimento de água com pH inferior a 6,0 ou superior a 8,5 deve ser monitorado principalmente onde ocorrem problemas recorrentes de saúde de rebanho ou de desempenho inexplicáveis.

Sólidos Dissolvidos Totais – STD é a soma de todos os sais inorgânicos presente na água. A água é considerada potável com menos de 1.000 miligramas por litro (mg/L) de TDS sendo esse valor ideal para vacas leiteiras. Níveis de 1.000 a 3.000 mg/L são geralmente satisfatórios, mas pode causar vários problemas de desempenho, dependendo do contaminante exato que esteja causando o TDS elevadas. Os níveis acima de 3.000 mg/L são mais propensos a causar gosto na água, o que pode resultar em redução de consumo e consequente redução na produção de leite. Globalmente, a água com um TDS acima de 1.000 mg/L tem alto potencial para causar problemas no gado e devem ser analisadas para detecção de todos os principais sais minerais e metais que possam estar presentes na mesma.

Nitratos – Nitratos podem ocorrer tanto em alimentos como na água. Por esta razão, os produtores de gado devem estar cientes dos teores de nitratos em ambos. Embora o nível de nitrato acima de 10 mg/L em água potável possa ser prejudicial para os bebês humanos (CETESB), pesquisas mostram que gados geralmente podem tolerar concentrações de nitrato em nitrogênio ligeiramente mais elevados. Beber água com concentrações acima de 20 mg/L como o nitrato poderiam apresentar problemas de saúde do rebanho, dependendo concentrações nos alimentos (que devem ser cuidadosamente avaliadas). Níveis de nitrato acima de 100 mg/L na água potável representam um maior risco para a fertilidade e outros problemas de saúde, dependendo do tipo de dieta oferecida aos animais.

Dureza – A dureza é uma medida maior parte do cálcio e magnésio na água. A água dura provoca muitos problemas de manutenção tais como incrustações que além e reduzir o fluxo de água, reduz a vida útil de equipamentos e resistências e ainda servem de um meio de proteção para bactérias, auxiliando sua proliferação mesmo na presença de cloro ou outros biocidas. A água dura é responsável pela corrosão e custos de manutenção imprevisíveis. Geralmente não afeta a saúde das vacas. Em concentrações acima de 500 mg/L deve ser incluída no cálculo da formulação da ração.

Ferro e Manganês (Fe e Mn) – São poluentes muito comuns que podem ocorrer naturalmente nas águas subterrâneas ou nas regiões de atividades de mineração. No Brasil, a região do Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais; na Serra dos Carajás, no Pará; e no Maciço do Urucum, no Mato Grosso do Sul tem forte propensão a ter água com excesso de ferro. Mas não apenas essas regiões, mas muitos lugares inesperadamente podem ter ferro na água. Ambos, Fe e Mn, causam coloração intensa e um gosto metálico de água.
Embora os níveis elevados de ferro na água potável não tenham importância toxicológica seus efeitos metabólicos secundários devem ser considerados, pelo menos, por duas razões: primeira; os níveis de ferro acima de 0,3 mg/L e manganês acima de 0,05 mg/L são suficientes para causar os gostos desagradáveis em água que podem causar a redução da ingestão de água e consequente redução na produção de leite, e segundo; excesso de ferro pode ter efeito prejudicial sobre o metabolismo de vários micronutrientes essenciais. Entre os efeitos fisiologicamente significativos estão as interações com nutrientes essenciais como Co, Cu, Mn, Se e Zn, onde a deficiência desses elementos pode ser induzida por ferro. Quando a sobrecarga crónica de ferro, os sinais característicos são redução do consumo de ração, da taxa de crescimento e da eficiência da conversão alimentar. Ferro na faixa de 1.600 ppm provocou redução no ganho médio diário e no consumo de ração. Bezerros podem ter o desempenho afetado com níveis de ferro na dieta em 500 ppm ou mais. Outro ponto importante que tem sido sugerido é que as concentrações elevadas de ferro na água de beber podem ser um fator de risco significativo promovendo a proliferação intestinal de Clostridium botulinum. (OLKOWSKI, 2009)

Cloretos – Cloretos na água ocorrerem naturalmente no Brasil principalmente em regiões de águas salobras. Cloretos acima de 250 mg/L pode conferir um sabor salgado a água o que poderia resultar na redução da ingestão da água e da produção de leite. Rebanhos com problemas de desempenho devem ter sua água testadas para teores de cloretos como uma explicação potencial da causa. Altos teores de cloretos na água também devem ser considerados na formulação de dietas para prevenir um excesso o que poderia ser prejudicial para a função ruminal.

Sódio – A presença de sódio na água raramente é um problema para o gado leiteiro, mas as concentrações de sódio devem ser incluídas na formulação de rações sempre que os níveis excederem 20 mg/L.

Sulfato – Vários estudos têm relatado diferentes níveis de preocupação para a presença de sulfato na água. Concentrações de sulfato inferiores a 1.000 mg/L são geralmente consideradas seguras para animais adultos, mas alguns autores suguem limites de 500 mg/L tanto para adultos como para novilhos. Sulfato em alta concentração tem sido associada a redução de gordura no leite e aumento das necessidades de selénio, vitamina E e cobre além de outros minerais importantes.

Cobre – Geralmente ocorre na água quando há corrosão dos componentes de cobre nos encanamentos deste metal. Ele também pode ser elevado em áreas de produção de suínos uma vez que o cobre esta presenta em sua dieta sendo absorvidos pelos animais na fixa de 70-95% do cobre fornecido em rações (Perdomo & Cazzaré, 2001). Níveis de cobre acima de 1,0 mg/L pode causar um gosto metálico, resultando em diminuição da ingestão de água e na produção de leite. Altas concentrações de cobre também podem causar danos ao fígado.

Outros nutrientes e contaminantes como alumínio, arsênio, boro, cádmio, crómio, cobalto, chumbo, mercúrio, níquel, selênio, vanádio e zinco encontrados na água podem representar um perigo para a saúde do gado. Para o consumo seguro, tais contaminantes devem exceder as diretrizes da Tabela 2. No entanto, muitos fatores dietéticos, fisiológicos e ambientais afetam estas orientações e tornando impossível determinar com precisão as concentrações nas quais ocorrerão problemas. Por isso o ideal é que seja realizada uma análise completa da água ao menos uma vez no ano e fatores de desempenho, produção, produtividade, fertilidade e mortalidade deveriam ser avaliados em função da qualidade da água além dos demais fatores como ambientais, nutricionais e genético.

Relação entre a qualidade da água e a produção de leite.

Dos 174 kits que retornaram 26% das fontes de água apresentaram pelo menos um parâmetro cujo limite poderia causar uma redução da produção de leite como o ferro, manganês, cloreto entre outros.
A produção média de leite nas 174 fazendas foi de 25 Kg por vaca por dia.
Em fazendas com boa qualidade da água a produção média foi de 28 Kg por vaca por dia.
Em fazendas sem problemas com a qualidade da água a produção foi maior que 34 Kg de leite por vaca por dia.
32% das fazendas que apresentaram a água com alto índice de problemas de qualidade a produção foi menor que 23 Kg de leite por vaca por dia.
Foi considerada fundamental a instalação de medidores de consumo de água, principalmente onde a produção de leite é baixa. Apenas 3% das fazendas participantes deste estudo possuíam hidrômetros para medição e controle do consumo de água.
Este estudo não é conclusivo, ao contrário, acende um alerta para que produtores estejam atentos a qualidade de sua água e observem o comportamento dos animais de seu rebanho. O investimento em tratamento de água tem um impacto muito baixo perto do risco da constante perda de produtividade de uma vaca de alto custo, sem mencionar os custos indiretos com manutenção e o risco de perda do animal.

Parâmetros microbiológicos.

Os parâmetros microbiológicos, embora não tenham sido avaliados no estudo da Penn State University, especificamente, devem ser investigados pelos riscos que representam a saúde humana e animal e sempre que incluídos na análise devem ser analisadas as seguintes espécies: Coliformes totais, Escherichia coli e Bactéria Heterotróficas.

Limites permissíveis ou recomendados.

No Brasil a ausência de pesquisas neste sentido posiciona a grande maioria dos profissionais da produção animal a margem do tema. Qualidade da água é um tema dos profissionais químicos voltados ao saneamento enquanto que saúde animal e qualidade de alimento está destinada aos profissionais das ciências agrícolas. Tentar obter uma especialização em qualidade de água na produção animal torna-se uma tarefa praticamente impossível.
O National Research Council (NRC) é a principal agencia de pesquisa do governo do Canadá.
A Instrução Normativa nº 62, de 29 de Dezembro de 2011, orienta no item 3.3.11. que a água deve ser de boa qualidade e apresentar, obrigatoriamente, as características de potabilidade fixadas no Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal – RIISPOA. Deve ser instalado equipamento automático de cloração, como medida de garantia de sua qualidade microbiológica, independentemente de sua procedência. O RIISPOA faz menção da Portaria MS 518/2004 sendo que esta foi revogada e está em vigor a Portaria MS 2914/201. Além disso o RIISPOA é de 1952 e embora a anos se tenha cogitado uma revisão até a data desta publicação ainda não havia sido revisado. Portanto, se o RIISPOA afirma que a água deve ser de boa qualidade e apresentar, obrigatoriamente, as características de potabilidade, fazendo menção a norma de potabilidade entende-se que os limites a serem seguidos devem ser os constantes nessa na portaria vigente de qualidade da água para consumo humano, ou seja, Portaria MS 2914/201, muito embora em alguns aspectos esse padrão de qualidade de água estaria muito aquém ou muito além do ideal para a produção leiteira. Não por outro motivo, muito provavelmente a Resolução CONAMA nº 396, de 3 de abril de 2008, que dispõe sobre a classificação e diretrizes ambientais para o enquadramento das águas subterrâneas e dá outras providências, orienta no Art. 35. Deverão ser fomentados estudos para definição de Valores Máximos Permitidos que reflitam as condições nacionais, especialmente para dessedentação de animais e irrigação. Entretanto, por outro lado, de forma confusa a Resolução nº 357, de 17 de março de 2005, que dispõe sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece as condições e padrões de lançamento de efluentes, e dá outras providências. Chega a definir limites para o uso animal, classificado como Classe 3, muito fora de qualquer outro padrão da IN 62 ou outras recomendações internacionais.

A Tabela 1 apresenta os principais parâmetros que devem ser analisados tendo em vista apenas a saúde animal, produção, produtividade, redução dos custos de manutenção e segurança no consumo humano.
Na coluna orientações constam comentários das respectivas normas que sugerem algum limite para o parâmetro. Quando o campo apresenta um traço ( – ) indica que a respectiva norma nada comenta sobre tal parâmetro. O campo cinza indica os limites para os respectivos parâmetros e contém comentários livres e complementares do autor.
A coluna IMPACTO indica se esta característica afeta a produção (P), a saúde (S), os custos de manutenção (M) e qualidade (Q) do leite.

TABELA 1- Principais parâmetros que impactam na produção, produtividade, qualidade e nos custos de manutenção da produção de leite.


 

 

 

 

 

 

Considerações finais.

Conhecer a qualidade da água e adotar sistemas de tratamento é imprescindível para o produtor que deseja obter o máximo de resultados com os menores custos de produção. Reunir o máximo de evidência possível sobre a qualidade da água utilizada antes investir em algum tratamento avançado e de alto custo ou ainda considerar alternativas como adoção de outras fontes de água e estratégias de controle da poluição local a fim de conservar a qualidade do recurso hídrico disponível.
Adotar técnicas simples e sempre que possível naturais de conservação e tratamento da água.
Qualquer investimento no sentido de melhorar a qualidade da água não pode ser realizado antes de um exame minucioso da água disponível. Para tanto consulte um profissional especializado em qualidade da água para a produção animal que possa definir as análises a serem realizadas e interpretá-las em função das necessidades e condições locais de tratamento de água.

João Luis dos Santos. Especializo. Especialista em gestão de recursos hídricos na produção agropecuária com mais de 15 anos de experiência. Atuou como consultor e instrutor para Sebrae, Embrapa, HidroAll, Agroceres, Aproleite, Faemg, Senar entre outras empresas. Mestre em engenharia agrícola pela FEAGRI/UNICAMP, Graduado em Marketing especializado em desenvolvimento de produtos e mercados e técnico em bioquímica. E-mail: atendimento@especializo.com.br

Referências bibliográficas:

• BENEDETTI, E. Água na Alimentação de Bovinos. 1. ed. Uberlândia, MG: EDUFU, 2012. p. 104
• HESS, T.; CHATTERTON, J. The Volumetric Water Consumption of British Milk. Bedford. UK. 2012
• OLKOWSKI; A.A. Livestock Water Quality: A Field Guide for Cattle, Horses, Poultry and Swine. (Minister of Agriculture and Agri-Food, Org.). Canada: Minister of Agriculture and Agri-Food Canada, 2009.
• NRC. Nutrient Requirements of Dairy Cattle: Seventh Revised Edition, 2001Subcommittee on Dairy Cattle Nutrition, Committee on Animal Nutrition, National Research Council (NRC). Washington, D.C.: National Academy of Sciences, 2001. Disponível em: <http://www.nap.edu/catalog/9825/nutrient-requirements-of-dairy-cattle-seventh-revised-edition-2001>.
• SWISTOCK, B. RESULTS FROM TESTING OF LIVESTOCK WATER SUPPLIES IN PA. Disponível em: <http://extension.psu.edu/natural-resources/water/webinar-series/past-webinars/results-from-testing-of-livestock-water-supplies-in-pennsylvania/pdf-copy-of-presentation>. Acesso em: 7 fev. 2015.
• THOMPSON J.A. et al. Opportunities for Reducing Water use in Agriculture. Wellesbourne, UK: University of Warwick, 2007.

 

Água e o padrão de qualidade do Leite.

Água e o padrão de qualidade do Leite.

Água e Legislação.

A   Instrução Normativa 62, de 29 de dezembro de 2011 tem por objetivo fixar os requisitos mínimos que devem ser observados para a produção, a identidade e a qualidade do leite tipo A. Dentre os aspectos abordados na IN 62 encontra-se a qualidade da água, o tema que constava na IN 51 e manteve-se na IN 62, chega a ser um paradoxo na produção agropecuária pois, embora seja tratado de forma tão clara na pecuária de leite muito pouco avançou desde 2002, enquanto que na produção de aves e suínos desde 2001 os processos estão muito avançados, inclusive no tratamento de águas residuárias, sendo que apenas em 2007 a IN56 abordou o tema, quase que, como resposta as mudanças que ocorreram no manejo da água dentro da atividade.

O Capítulo 3 da IN 62. Classificação e Características do Estabelecimento orienta:

3.3.11. Abastecimento de água: a fonte de abastecimento deve assegurar um volume total disponível correspondente à soma de 100 l (cem litros) por animal a ordenhar e 6 l (seis litros) para cada litro de leite produzido. Deve ser de boa qualidade e apresentar, obrigatoriamente, as características de potabilidade fixadas no Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal – RIISPOA. Deve ser instalado equipamento automático de cloração, como medida de garantia de sua qualidade microbiológica, independentemente de sua procedência;

3.3.11.1. Nos casos em que for necessário, deve ser feito o tratamento completo (floculação, sedimentação, filtração, neutralização e outras fases);

3.3.11.2. Os reservatórios de água tratada devem ser situados com o necessário afastamento das instalações que lhes possam trazer prejuízos e mantidos permanentemente tampados e isolados através de cerca. Diariamente deve ser feito o controle da taxa de cloro;

O Artigo 62 RIISPOA traz as seguintes orientações sobre a qualidade da água utilizada:

  1. a) não demonstrar, na contagem global mais de 500 (quinhentos) germes por mililitro;
  2. b) não demonstrar no teste presuntivo para pesquisa de coliformes maior número de germes do que os fixados pelos padrões para 5 (cinco) tubos positivos na série de 10 ml (dez mililitros) e 5 (cinco) tubos negativos nas séries de 1 ml (um mililitro) e 0,1 (um décimo de mililitro) da amostra;
  3. c) a água deve ser límpida, incolor, sem cheiro e de sabor próprio agradável;

d)…

  1. m) cloro livre, máximo de 1 (uma) parte por milhão, quando se tratar de águas cloradas e cloro residual mínimo de 0,05 (cinco centésimo) partes por milhão;

Embora haja certa flexibilidade nos valores, a água que tenha passado por um processo de desinfecção, adequadamente dimensionado, por meio de cloração e tenha um residual mínimo de 0,05mg/l (ou ppm – partes por milhão) raramente estará contaminada por coliformes ou qualquer outra bactéria.

A produção de leite sofre forte impacto da qualidade da água não apenas quanto sua qualidade final mas principalmente quanto a segurança alimentar do produto. Além disso pessoas que trabalham nesta atividade tendem a fazer uso desta água e o padrão de potabilidade exigido para consumo humano é ausência total de coliformes na água.

A Portaria 2.914 de 12 de dezembro de 2011 que trata sobre padrão de potabilidade para consumo humano é muito mais rigorosa e exige ausência total de coliformes na água.

A presença ou ausência de coliformes na água têm valor sanitário limitado e sua aplicação restringe-se praticamente à avaliação da qualidade microbiológica da água tratada e distribuída. Embora tenha esta denominação o grupo dos coliformes fecais inclui bactérias de origem não exclusivamente fecal. Entretanto como em cerca de 106–108 coliformes fecais/100 mL que estão usualmente presentes nos esgotos sanitários predomina a Escherichia coli (esta sim, uma bactéria de origem exclusivamente fecal), esses organismos também são largamente utilizados como indicadores de poluição de águas naturais, ou seja, aquelas que não passaram pelo tratamento convencional e são utilizadas no meio rural.

Aliado a isso está o fato de que a E. Colli é a bactéria mais resistentes ao processo de desinfecção via cloração. Por este motivo este microrganismo é um indicador de padrão e procedimentos de higiene. A E. coli é reconhecidamente o indicador mais preciso de contaminação fecal, sendo a sua presença indicativa da provável ocorrência de outros microrganismos patogênicos.

Resumindo, a presença de Coliformes na água indica falta de procedimentos adequados de higiene básica e ausência ou deficiência no tratamento e desinfecção da água.

Água e toxinfecção alimentar via Leite.

A ocorrência de grandes surtos humanos de salmonelose, listeriose e iersiniose associados ao consumo de leite líquido contaminado pós-pasteurização, leite em pó ou queijo, enfatiza a vulnerabilidade de produtos lácteos nos surtos por fonte única de contaminação (SHARP, 1987).

Nos últimos anos, o aparecimento e a tendência crescente de surtos mundiais de microrganismos passíveis de serem veiculados pelo leite, como as salmoneloses, as colibaciloses as listerioses, as campilobacterioses, as micobacterioses e as iersinioses, têm despertado a atenção e preocupação de estudiosos em todo o mundo.

Recentemente a Coordenadoria de Controle de Doenças de São Paulo divulgou nota do Centro de Vigilância Epidemiológica dando conta que a Divisão de Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar divulgou nota de da notificação de cinco (05) casos de pessoas residentes em municípios do Estado de São Paulo, com doença semelhante à ocorrida em Monte Santo de Minas, sendo que em dois deles foi isolado o Streptococcus do sorogrupo C. Todos os casos consumiram dos alimentos suspeitos produzidos em Monte Santo. As análises laboratoriais realizadas em alimentos pelo Laboratório em Minas Gerais mostraram a presença de vários tipos de Streptococcus e outros patógenos indicando práticas inadequadas de preparação dos mesmos. Entre os alimentos analisados estão: leite in natura, sorvete, queijo e milk-shake.

No final de dezembro de 2012 e janeiro de 2013, haviam registrado 150 casos de faringite seguida de síndrome nefrítica, em Monte Santo de Minas, MG, associados ao consumo de leite e derivados não pasteurizados de produção caseira ou artesanal e a carne crua ou mal cozida, configurando-se um surto inicialmente restrito àquela cidade.

Os Streptococcus dos grupos C frequentemente são transportados por animais, mas também crescem na orofaringe, no intestino, na vagina e no tecido cutâneo do ser humano. Esses Streptococcus podem causar infecções graves, como a faringite estreptocócica, pneumonia, infecções cutâneas, sépsis pós-parto e neonatal, endocardite e artrite séptica. Após uma infecção por uma dessas bactérias, pode ocorrer inflamação dos rins.

Streptococcus são destruídos por processos simples de higienização como detergentes e sabão. Além disso um processo de desinfecção da água e higienização de ordenha podem controlar a infecção por esta bactéria.

Água, desinfecção e higienização.

O cuidado com a água na produção de leite deve começar com a conservação dos recursos hídricos disponíveis na propriedade. Conservar a qualidade da água disponível não apenas contribuirá com a qualidade da água utilizada como reduzirá os custos de tratamento e mitigará os impactos sobre a mesma e consequentemente no meio ambiente.

Animais que ingerem água em açudes, rios e nascentes defecam e urinam na mesma contaminando a própria água ingerida e muitas vezes utilizada na sala ordenha.

O processo de desinfecção da água é muito simples, desde que conte com uma estrutura mínima apropriada para tal. Esta estrutura deve ser composta de reservatórios de água para onde esta deve ser bombeada e tratada, cada uma de acordo com sua finalidade de uso.

Figura 1. Ilustração do uso errado da água.

Neta ilustração as atividades no entorno dos recursos hídricos impactam diretamente a sua qualidade. Considere que todas fontes de água estão de alguma forma conectadas e interferem na qualidade uma da outra por transferência.

 

Figura 2. Ilustração do uso correto da água.

Os recursos hídricos disponíveis no meio estão protegidos e sofrem mínimo impacto das atividades produtivas.

Um sistema de abastecimento devidamente dimensionado, com reservatórios que armazenem água suficiente para no mínimo 24 horas de consumo, composto de uma caixa principal e outras caixas menores para usos específicos, permitirá ao produtor tratar a água de acordo com sua necessidade em cada aplicação.

Uma proposta viável é que a água de uso geral deva manter um mínimo de 0,5mg/litro de cloro no reservatório principal. A manutenção do cloro dentro do cocho de bebida dos animais entre 0,5 e 1,0 mg/litro além de evitar a contaminação cruzada da água reduzirá o tempo de limpeza dos mesmos. Para a sala de ordenha, onde haverá higienização dos equipamentos sugere-se manter até 5mg/litro de cloro na água. Para consumo humano a exigência é de no mínimo 0,2mg/litro.

Para adequação do processo de desinfecção neste caso o uso de cloradores será muito simples. Existem inúmeros tipos de dosadores adequados a cada tipo de aplicação, de fácil manejo e operação simples que o produtos não terá dificuldades em se adaptar. Logo, atender a IN 62 no quesito: “Deve ser instalado equipamento automático de cloração, como medida de garantia de sua qualidade microbiológica, independentemente de sua procedência;” não é o maior problema, mas sim adequar os sistemas de abastecimento com reservatórios e bebedouros para que possam ter estes dosadores instalados atendendo o padrão de qualidade da água exigido na norma.

Um produtor de 500 litros de leite por dia, que tenha um sistema de armazenamento e distribuição de água adequado deverá investir no primeiro mês entre R$ 0,04 e R$ 0,10/litro de leite para adquirir um sistema de cloração e filtração se necessário. A variação ocorre em função da qualidade da água disponível, quanto melhor for menor será o investimento em tratamento . Depois de implantado o sistema, os custo dos insumos necessários deve ficar em R$ 0,006/litro de leite. Muitas empresas que já pagam por qualidade remuneram pela redução de CBT no leite quando atingem o padrão da IN 62, ou padrões próprios, em até R$ 0,14/litro de leite produzido.

O produto melhor indicado nos processos de desinfecção são as pastilhas de cloro, principalmente o Tricloro que por sua dissolução controlada associada aos dosadores permite um preciso controle da dosagem desejada. Mas deve-se observar que não é qualquer Tricloro que pode ser utilizado. Produtos destinados a piscinas por exemplo não são indicados para consumo humano. Deve-se exigir registro do produto no MS/ANVISA para consumo humano ou no MAPA dependendo da finalidade de uso.

Jucimara H. João, graduando em Medicina Veterinária – CAV/UDESC, apontou uma estreita relação entre a qualidade da água e a CBT. Em seu trabalho destaca: A água utilizada tanto para consumo, como limpeza e higienização dos equipamentos pode veicular doenças aos animais e homem, além de comprometer a qualidade do leite. Na opinião da maioria dos produtores de leite, a água utilizada em sua propriedade é de boa qualidade. Entretanto, estudos como de Picinin(2003) e Amaral (2003) revelaram que, em geral, a qualidade microbiológica da água não tratada é inferior à expectativa dos produtores de leite.

O trabalho ainda destaca que a qualidade microbiológica da água (CPP) utilizada no processo de higienização de equipamentos de ordenha afetou linearmente (P=0,10) a contagem bacteriana total do leite (CBT), com aumento na CBT em função de valores mais elevados de CPP (Figura 1), sem afetar a CCS. Conforme tabela apresentada abaixo.

Observa-se que quanto mais contaminada a água (CPP) maior a contaminação detectada no leite (CBT) numa mesma localidade.

Caso a água disponível necessite de técnicas mais avançadas como decantação e filtração como prevê a IN 62, esse caso deverá então ser estudado a parte por um especialista que indique a melhor forma de fazer isso. Havendo possibilidade de outra fonte de água limpa como num poço, o custo será menor no longo prazo que tratar água em estruturas mais complexas.

A higienização distingue-se da desinfecção pela concentração de cloro dosado e o tempo de contato exigido. Enquanto para desinfecção trabalha-se com baixas dosagens e alto tempo de contato, por isso a necessidade insistente de reservatórios de água, na higienização a dosagem é alta e baixo tempo de contato necessário para a ação biocida.

Isto ocorre por exemplo no pré-dipping onde alguns produtos recomendam dosagens de 1% a 2% de cloro na higienização dos tetos, teteiras e dos equipamentos pós-ordenha. Dever ser observado o fato de que desinfetantes a base se hipoclorito de sódio são altamente alcalinos e por isso agressivos a pele e corrosivos. Por outro lado o Dicloro, um sal orgânico e de pH neutro é muito mais eficiente e menos agressivo.

Outro aspecto que deve ser ressaltado é que a higienização por meio do uso de produtos destinados ao procedimento de limpeza dos equipamentos e instalações como detergentes alcalinos, ácidos, clorados e etc, são fundamentais para obtenção de um leite de boa qualidade. Entretanto, por melhor que seja o produto utilizado, por mais que as técnicas de limpeza e desinfecção da ordenha estejam corretas, o uso de uma água tratada e de qualidade é fundamental para o sucesso dos procedimento.

Concluindo.

A água é um nutriente essencial para o manejo saudável dos animais e para boa produtividade de leite dada sua importância em toda fisiologia do animal.

A produção pecuária de leite é esta entre as mais impactantes sobre os recursos hídricos disponíveis. Os dejetos gerados na pecuária são 30 vezes mais poluentes que dos humanos.

A obtenção da qualidade da água via desinfecção (e filtração se for o caso), exigida pela IN 62 é factível, necessária e urgente pois garantirá a qualidade final do leite reduzindo os riscos de toxinfecções alimentares. Com um leite de melhor qualidade o produtor deverá receber mais pelo produto como incentivo dos laticínios. Água tratada e de qualidade para todos os usos na propriedade reduzirá ainda as doenças transmissíveis pela água tanto ao homem quanto aos animais.

Fazer uso correto dos produtos de higiene de ordenha sem um água tratada e de qualidade comprometerá todo o trabalho inicial colocando em risco a qualidade do leite produzido.

João Luis dos Santos. (joao.luis@especializo.com.br) Cel: (19) 8119.9761

Faculdade de Engenharia Agrícola (FEAGRI) – Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

João Luis dos Santos é mestre em Engenharia Agrícola pela FEAGRI/Unicamp, especialista em gestão de recursos hídricos na produção animal atuando no mercado a mais de 15 anos, é professor no EducaPoint e colunista no Blog Gestão da Água no MilkPoint em assuntos relacionados a água na produção de leite. É consultor da HidroAll e SomaAgri em projetos ligados a gestão de recursos hídricos na produção de leite.

Referências Bibliográficas.

BLOCH, Saymour S. Disinfection, sterilization and preservation, 4.ed. Philadelfia: Lea & Febiger, 1991. Cap 7 – Chlorine and Chlorine Compounds.

REBOUÇAS, Aldo C.; BRAGA, Benedito; TUNDISI, José G. Águas Doces do Brasil: capital ecológico, uso e conservação. 3ª Ed. São Paulo. Escrituras, 2006.

GALIZONI, Flavia Maria. Águas da Vida: população rural, cultura e água em Minas Gerais. Tese de Doutorado em Ciências Sociais apresentada ao Departamento de Ciências Sociais do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas. Fevereiro, 2005.

BRASIL – Instrução Normativa Nº 62, de 29 de Dezembro de 2011 – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Aprova o Regulamento Técnico de Produção, Identidade e Qualidade do Leite tipo A, o Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade de Leite Cru Refrigerado, o Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade de Leite Pasteurizado e o Regulamento Técnico da Coleta de Leite Cru Refrigerado e seu Transporte a Granel, em conformidade com os Anexos desta Instrução Normativa.

BRASIL –  Portaria MS Nº 2914, 12 de dezembro de 2011 – Ministério da Saúde – ANVISA – Dispõe sobre os procedimentos de controle e de vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade.

Jucimara H. João. Mestranda em Ciência Animal – Centro de Ciências Agroveterinárias (CAV/UDESC) – Lages/S. Influência da qualidade da água e manejo de ordenha sobre a qualidade do leite. 2010.

Centro de Vigilância Epidemiológica/CCD/SES-SP – Divisão de Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar – Nota Técnica: Surto de faringite estreptocócica e síndrome nefrítica em Monte Santo de Minas, MG, de provável causa alimentar – Recomendações e cuidados de prevenção. São Paulo, 05 de fevereiro de 2013. http://www.cve.saude.sp.gov.br/htm/hidrica/NT2013_Surto_Monte_Santo.pdf

 

 

Enfoco: A importância da qualidade da água na suinocultura.

Enfoco: A importância da qualidade da água na suinocultura.

Pontos abordados na palestra:

Água, a via de contaminação

Toda doença que a via de infecção é a orofaríngea e digestiva, a água serve como potencial veículo na transmissão e disseminação dos agentes.

Muitos microrganismos podem ser transmitidos pela água, especialmente os entéricos como Salmonellas, Vibrio cólera, Escherichia coli, Leptospira  sp., Clostridum, Erysipelothrix, Enterovirus, Rotavirus, Virus da febre aftosa, VPSC e PSA, Protozoários e Ovos de helmintos.

A palestra abordava os problemas reflacionados a má qualidade da água e técnicas de tratamento para minimizar os impactos causados a saúde dos suínos.

Faça download da palestra aqui: A importância da qualidade da água na suinocultura

XVII SBSA: O impacto da água no desempenho das aves e nos custos de produção.

XVII SBSA: O impacto da água no desempenho das aves e nos custos de produção.

Alguns pontos de destaque da palestra:

A água é o tema que tem ocupado todos espaços da produção animal.
No IV SPARH um dos temas mais importantes foi sobre nutrição de precisão com objetivo de reduzir o consumo de água e minimizar impactos ambientais causados pelas excretas animais.

Dois aspectos de extrema relevância:
Primeiro, a produção de aves, embora não gere resíduos significativos que impactem diretamente os recursos hídricos, sempre esteve aos arredores da produção de suínos ou gado.
Segundo, a melhor medida que podemos adotar para ter uma água de boa qualidade é evitar que essa água seja degrada.

A cloração da água na avicultura promoveu ganhos em conversão alimentar, reduziu a incidência de doenças transmitidas pela água com consequente redução do uso de medicamentos e trouxe uma redução de custos que “ainda” não foi mensurada

A dureza da água reduz a biodisponibilidade de enrofloxacina em frangos de corte. Nos países em desenvolvimento da qualidade da água não é considerada importante na escolha da área onde uma exploração avícola será localizado. No entanto, é nestes países onde a enrofloxacina é usado em demasia. Regulamentações quanto ao uso da enrofloxacina em todo o mundo são obrigatórios considerando o caso como um problema de saúde pública, devendo ser evitada usos abusivos e sem controle que possam ocasionar a resistência dos agentes antibacterianos.

Faça download da palestra completa: O impacto da água no desempenho das aves e nos custos de produção